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07/03/2026

Samaritanos no mundo de hoje

"Neste tempo de Quaresma, em preparação para a Páscoa, não podemos esquecer o perdão e a reconciliação. Eles nos remetem à misericórdia do Pai e nos ajudam a recuperar a paz interior e a nossa dignidade de filhos e filhas de Deus"

Samaritanos no mundo de hoje

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Como cristãos, devemos cultivar a confiança e a esperança de que, apesar de todos os acontecimentos negativos que agridem a vida e a dignidade do ser humano, o Reino de Deus está entre nós. Mesmo com todas as tentações, as privações, as perseguições e o cansaço a que muitas vezes somos submetidos no nosso caminho.

Neste tempo de Quaresma, em preparação para a Páscoa, não podemos esquecer o perdão e a reconciliação. Eles nos remetem à misericórdia do Pai e nos ajudam a recuperar a paz interior e a nossa dignidade de filhos e filhas de Deus. Esta é fundamental para a nossa vida de fé, porque nos leva a olhar os outros com os olhos do amor de Deus.

A falta de perdão e reconciliação conosco mesmo, com os irmãos e com Deus, consome muitas das energias da nossa vida, nos enfraquece fisicamente e nos destrói espiritualmente. Por isso, o homem reconciliado é um homem renovado, porque tocado pela graça do perdão de Deus.

Diante de situações que ferem a nossa vida ou a vida dos irmãos e irmãs, podemos ter várias reações. Podemos ser indiferentes, fazer de conta que não vemos o sofrimento do outro nem ouvimos o seu pedido de ajuda, manifestado no olhar, no silêncio e às vezes nas lágrimas. Preferimos passar por outro caminho, para não mais precisar ver certas situações, tentando assim fazer calar a voz da nossa consciência. Podemos também ser solidários, manifestando compaixão, nos tornando sinal do amor, da ternura e da misericórdia de Deus para com os irmãos que padecem.

A conversão é uma experiência da qual não podemos abrir mão, porque ela nos aproxima do Deus da vida, mas também nos faz descobrir e, às vezes, redescobrir a presença do Senhor nos irmãos. A conversão pode ser a passagem da falta de fé à fé, ou do mal ao bem. Na pessoa que crê no Senhor Jesus a conversão pode se manifestar como uma passagem da fé, considerada um complexo de doutrinas que se pode conhecer, à fé vivida nas ações do dia-a-dia.

O Bom Samaritano não fica perguntando quem é meu próximo, ele se faz próximo daquele que precisa, sabe manifestar compaixão, é capaz de ações de misericórdia generosas, desinteressadas e livres de preconceitos. O exemplo dele é Jesus, que se fez próximo de cada um, dos justos e injustos, dos santos e pecadores, dos amigos e inimigos. Ele está atento não só às próprias preocupações, mas também às necessidades dos outros. Para o Samaritano, o próximo não é definido por uma teoria, mas por um apelo à sua misericórdia, o fazer-se próximo pelo amor-caridade, comprometido com a vida, com o irmão, com a vida eterna no Reino de Deus.

Por isso somos convidados a viver a Quaresma à luz da Páscoa, porque é no Cristo ressuscitado que reside a síntese perfeita do amor infinito do Pai. É nele que a pessoa de fé encontra força nas turbulências e nas adversidades da vida.

 

+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul

Paróquia Santo Antônio - Bento Gonçalves

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